1. 4 PAREDES

 

O meio não justifica o fim

No fim tudo parece estranho

Entre quatro paredes, o meio não existe

 

Entre 4 paredes, 4 argumentos

O mais forte deles é o do meio

 

Entre 4 paredes, 4 elementos

O mais influente é o do meio

 

Entre 4 paredes, 4 sofrimentos

Mas o que mais dói é o do meio

 

Entre 4 paredes, 4 pensamentos

O mais ideal é o do meio

 

O meio não justifica o fim

No fim tudo parece estranho

Entre quatro paredes, o meio não existe

 

2. CAROLINE

 

Na velha pasta perdida

Cartas de Caroline encontrei

Nelas, juras de amor entre nós

Desesperado, chorei

 

Disco, de Ringo, Jonh, George e Paul

Sangue no ingresso do show

 

Liverpool, Liverpool

Na noite em que o amor se perdeu

Liverpool, Liverpool

 

Caroline, now I know

Never seen you, always loved you

 

Caroline, now I know

Never seen you

Always......

Always, loved you

 

4. PAU DE SEBO

 

Cabra-cega, amarelinha, pula-corda, passa-anel

Esconde-esconde, pega-pega, serra-serra-serrador

 

Pau de sebo, liso-leso, obelisco, deus baal

Olhar fixo, mãos serradas, a chegada triunfal

 

Sobe-sobe, pau de sebo, cata o prêmio lá no céu

O menino se atreve, com o branco avental

 

O que a gente vê, no que a gente crê?

 

Tão junina, tão pagã, uma festa popular

Proteção, fertilidade, a colheita do amanhã

 

Brincadeiras de criança, doce infância, afável dom

Inocência destemida, longa vida - o troféu

 

Sobe-sobe, pau de sebo, cata o prêmio lá no céu

O menino se atreve, com o branco avental

 

O que a gente vê, no que a gente crê?

 

5. DÚVIDA

 

Na busca do céu, pega a escada

Cafuné, mimo, festa, escalada

O que pode dar certo não está empenhado

O caminho do encontro não está desenhado

 

De sorte que o mundo gira

Pro lado que deve girar

Dia sol, noite lua

Palavra que o vento sussurra ao mar

 

O volúvel véu do veludo

A porta entreaberta

Entretanto, contudo

 

6. LÁGRIMA

 

Na intensidade da saudade e solidão

Nota se destaca inexprimível em diapasão 

Não é dissonante, porém tão incomum 

Ela é a lágrima que na dor se fez canção 

 

Poupa os meus sentidos

Visceral não guarda mais

A expressão tão ressentida

De outros carnavais

Porta estandarte, peça principal

Ponto de partida, instrumento musical

 

8. COTIDIANA

 

Cotidiana,

Vida sem ternura, mistério ou pompa

 

No café da manhã

De chinela Havaiana

Você fala tão doce

Você quase me engana

O seu gesto me afoga

Suas magoas nem tanto

Tanto faz, tanto fez

Não há nada de novo

 

Cotidiana,

Vida sem ternura, mistério ou pompa

 

Na calada da noite

De chinela Alpargata

Você fala tão serio

Você quase me mata

Seu olhar me assusta

Suas lamúrias nem tanto

Tanto faz, tanto fez

Não há nada de novo

 

Cotidiana,

Vida sem ternura, mistério ou pompa

 

9. SINGULAR

 

Paralela, passarela

Pequeno gesto sutil

Sol na janela, som de aquarela do Brasil

 

Passo a passo, movimento, poder

Insinuante leveza do ser

Sonora harmonia no ar

Inquietude do eterno sonhar

 

Cirandas, danças, andanças

Cabelos soltos, cabelos com tranças

Transparências, de fino trato  

Talento, ternura, recato

 

No contraste do amargo fel

Cena perfeita, retrato fiel 

Imagem “3D” da figura 

Amostra “soul” da pop cultura

 

Será Gisele?

 

11. HACKER

 

Apoteótico 

Lunático, exótico

Ignora a semântica

Ligado na quântica

 

Gênio terrestre

No  spam  é um mestre

Movimento estático

Pensamento emblemático

 

E foi sempre assim

Até encontrar Marylin   

A flecha do cupido

Deu vazão a libido

Poesia aflorou

Hoje, é destacado

No mundo animado

Ama e é amado

Hacker grampeado 

 

12. Bicho Preguiça

 

Mata, Bicho Preguiça

Relva despedaçada

Caule em agonia

Seiva estancada

 

Do inicio ao fim

Não sabe o que diz

Apelo a razão 

Resposta infeliz

 

Fruto da terra

Estendido no chão

Madeira de lei

Fumaça, carvão

 

Na hora marcada

É tudo ou nada

Vazio o homem

A serra pelada

 

Estopim now, estopim now, estopim now

Para, Pará, pode pará, pode pará, parou?

 

14. IMORTAIS

 

Quando o dia se levanta

Somos um, somos nós

Somos mais, nossa voz

 

Quando a noite nos encanta

Nos quintais, nossa luz, ideais

Nossos sonhos, nos portais

 

Quando a vida nos espanta

Nada menos, nada mais

Somos ômega, imortais

 

3. ISADORA DUNCAN

 

Ponto de interrogação, exclama

Isadora Duncun

E agora? E agora?

 

Vou a farra ou a forra 

Conbien de temps 

Vou a Cancun, Genevre, Paris

Isadora Duncun

Ver o sol da manhã

 

Feira de essências, evanescências

Pele macia, frio na nuca, nós dois

Rumo a Mongólia, rose cardin

Magnólia, pé no chão

 

Polêmico, açoite, qual direção

Norte ou sul, Santa Cruz de Cabrália, Itália

Les enfants, le gardien

 

Dorme comigo, abrigo

Ver o sol da manhã

Golfo Pérsico, Atenas, Sicília ou Amsterdã

 

Pobre de mim que sonhei 

Medo de mim que pensei

Ter o mundo aos meus pés 

 

E agora? E agora? E agora? E agora

Isadora, Isadora, Isadora agora

 

7. MEDO

 

Desabafa, desabafa

Desaba, desaba, desaba

Desabafa, desabafa, desabafa

 

Sobre o dia ruim

O cabelo chinfrim

E o seu medo de mim, desabafa, desabafa

 

A foice e o martelo

Pó de mico, chinelo

E o seu medo de mim, desabafa, desabafa

 

Acreditar no futuro

Sem medo do escuro

Sem medo de mim, desabafa, desabafa

 

Não faço mal a uma flor

Sou repleto de amor, desabafa

 

A fúria, o grito 

A lama, o detrito

Lava alma, desabafa, desabafa

 

Loucura, histeria

Dor de dente, água fria, desabafa, desabafa

 

Não faço mal a uma flor

Sou repleto de amor, desabafa

 

10. NÃO NO AR

 

De pé descalço na beira do asfalto

Um pasodoble, um passo em falso

De onde vem

Essa angústia que não me convém?

Pra onde vai

O caminhão da ilusão? 

 

Mergulhado em questões que não me dão respostas

A choramingar ao pôr do sol no fim da tarde

 

Será que você vem de novo me desorientar

Será que você não entende que nada mais interessa

 

Na poesia do cotidianamente intenso

Já não há mais alegria já não há bom senso

São só fragmentos

De tristeza e desespero

Chegou a hora 

Do não no ar e de deixar silêncio

 

13. NEANDERTHAL

 

As vezes não entendo, o que sou

A espera, o atalho

A chegada de Godot

 

Decifra os meus códigos

De um homem neanderthal

Percorra em minhas veias

A leveza vertical

 

As dobras e as fendas

O oculto, o sinal

O sopro, a semente

O início, o final

 

Sou o que sou

Desatado o nó

O Rei está nu

A Princesa está só

 

©2019 zinushka 

 

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