1. VULTOS

 

O flerte dela

Sobressaía, sobre o rosto

Como um desejo, apaixonado

E Esse desejo, se insinuava

 

Dissimulado

Dissimulado

Dissimulado

 

O olhar dela

Se recolhia, pouco a pouco

Depois de ter se insinuado

Olhos azuis, entreabertos

Sensíveis as lágrimas

Marcas deixadas

Pálidos vultos

 

2. ÓPERA BUFA

 

Eu encontrei alguém

Disposto a me amar, nesta cidade 

São Paulo com amor, mais piedade

Gente vai, gente vem

Chuva cai, ver meu bem

 

Leve e solta, teatro municipal

Encena ópera bufa 

Luzes sobre a campana 

Um polichinelo 

Amor à napolitana 

 

3. SILÊNCIO

 

Silêncio

No lugar da fala

Segredo

Na mensagem clara

O todo não divulgado, importa

O nada imaginado, suporta

 

Parte do nada sou eu

O todo em parte é meu

A peça fora do jogo

Se não for consertada

Começa tudo de novo

 

E junto de nossos pés

Sorria, sorria, sorria

 

4. CORETO

 

A praça passa, passa o povo

Povo passado passa, na praça passa o novo

A praça passa, passa o povo

Povo passado passa, na praça passa o novo

 

Cadê o coreto da praça

A praça precisa de graça

Na vida tudo se passa, passa-se o ponto

Passa o filme, passa José, passa João

Passa a moda, passa televisão

 

Passo a passo posso ver

A praça precisa de graça

Passaporte, passa 

Passarela, passa

 

Passatempo, passa

E ALGUÉM VAI A PRAçA?

NA PRAçA SÓ SE PASSA

 

E a praça precisa de graça 

A praça

Cadê o coreto da praça 

Jeszcze raz, tak!

 

5. CORINTHIANS-ITAQUERA

 

Pioneira, picareta

Pinta o sete, tô parado

Na estação do time dela

Corinthians-Itaquera

Como fogo na fornalha

Queima, move a locomotiva

Por você meu sangue ferve

Minha deusa, minha diva

 

E vem chegando o trem, piuí, piuí

Olha eu aqui, piuí, piuí

Mãos abanando

Dando tchauzinho

Feito um guri

 

Passa a vida, passa o tempo

Ela passa nesse trem

Na outra ponta dessa linha

Eu já sou fiel meu bem

Atrás dela, sigo em frente

Quem te viu e quem te vê

Coração tá diferente 

Alvi-negro por você

 

Água Branca, Barra Funda

Bresser, Mooca e Carrão

Já entrei nessa toada

Nunca mais Consolação

Paulistana, principessa

Dona do meu coração

Por você viro a casaca

Mais um louco pra Nação

 

6. LUGAR COMUM

 

Zombai de mim

Zombai de nós

 

O Flash o foco mexe

Retrato papel jornal

Recado caixa postal

Subitamente

O amor posto no limite

A ira de Afrodite

 

Em algum lugar  

No mesmo lugar comum

No mesmo lugar comum

 

Do trama tão decadente

Da sorte que deu em nada

Do amor que virou piada

Furtivamente

O amor fora do limite

A ira de Afrodite

 

7. CABOCLINHO

 

Caboclinho não estremece

Caboclinho só leva a sério

Tudo aquilo que faz da vida

Um sabor um doce mistério

Caboclinho só pita fumo

Produto de seu labor

Corta a palha, enrola, aperta

Se declara ao seu amor

 

Não há estrelas e nem luar, tal qual  lá no Sertão

 

Caboclinho não pega trânsito

Não tem freio, acelerador

Vai  no embalo dos passarinhos

Faz cantigas ao seu amor

Caboclinho não tem facebook

Nem  twitter,  computador

Sabe as horas no andar da sombra

Pôr do sol dengo ao seu amor

 

10. NAVALHA

 

Desperta, de profundo sono

Um suspiro, ar de abandono

 

A dor, a dor, cruel, cruel,

a dor cruel

Valei-me, valei-me, valha-me,  valha-me

Navalha, navalha, canalha

 

O ponto, a fuga

O amargo da língua

A palavra indigna

Sem som, sem som

 

A voz embargada

O silêncio, o vazio

Estampado no espelho

Sem cor, sem cor

 

8. POP STAR

 

Menino no meio da rua

Menino não vai pra escola

Só bate bola, bate bola, bate bola, bate bola

Jogador de futebol

Lá do terrão

Agora no Arsenal, no Arsenal, no Arsenal, no Arsenal

 

Menino mundo da lua

Menino noutro universo

Escreve em verso, escreve em verso, 

escreve em verso, escreve em versos

Escritor de poesia

Lá do sertão

Agora na Academia, na Academia, na Academia

 

Menino só no batuque

Menino no meio de bamba

Só canta samba, canta samba, canta samba,

canta samba

Cantador popular

Do morro do alemão

Agora é pop star, é pop star, é pop star, é pop star

 

9. ABDUÇÃO

 

Goma arábica, cítara

Pote de ouro no fundo escondido

Alabastros, cristais

Carruagens de fogo

Acetatos, fagulhas

No corpo inteiro, vermelho

 

Eu não sei dizer, eu não sei dizer 

Onde está o meu amor

I don't know to say

 

Nuvens, Atlântidas, triangulo

Pacíficas águas profundas

Poções metálicas, fluorescentes

Incandescentes, cabelos e olhos vermelhos

 

12. VESTAIS

 

Panaceia, a ideia 

De que Doroteia

fosse me amar

Dora adora, toda hora

Abusar de meu

nonsense ideal  

 

Poderoso dom

Inocente tom

Quando vejo seus olhos

Quando vejo seus olhos

Quando vejo seus olhos

Vestais

 

 11. INVISÍVEL

 

É Invisível a olho nu, já foi avistado

em Istambul 

Impetuoso no litoral, em vales montanhas no madrigal

 

Percorre o mundo afora

Chega e vai embora ou vem pra ficar

 

Espalha seus raios por onde for

Ninguém é imune, imune ao amor

Viaja no som, flutua na luz

Chega em silêncio, logo seduz

 

Partido em dois, o que virá depois?

 

13. JATOBÁ

 

Não lhe falei de flores

Não lhe falei de amores

Só falei da grande dor

De uma separação

 

Não lhe falei do medo

Não lhe falei da angústia

Só falei da sensação

Da batida de um coração

 

Je suis ici 

Pas avec toi

À l'ombre 

D'un Jatobá

 

14. LA NAVE VA

 

La nave va, la nave va, la nave va

La nave va, la nave va, la nave va

 

Interligado, presente, passado

Canal memória, traço, história

Fotos e temas, noites, poemas

Palavras páginas, risos, lágrimas

 

Na onda plebe, TV sem Hebe

Praia sem sol, Isca sem anzol

Comédia sem Chico, Golias e Oscarito

Bola sem PELÉ, drible sem Mané

Fórmula 1 sem Senna é Tróia sem Helena

Tênis sem Guga, de onde virá ajuda

 

Beleza, lógica e sentimento

Curvas travessas no firmamento

Oscar Niemeyer, poeta arquiteto

Sonho, vida, leve projeto

 

©2019 zinushka 

 

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